Evento debate inclusão de alunos cegos no sistema educacional

A criação de políticas públicas para a inclusão de pessoas cegas também foi debatida no evento
Belém 16/02/20 15:32

Um evento, realizado na última sexta-feira (14), comemorou o Dia Mundial do Braille, celebrado no dia 4 de janeiro. A data assinala o nascimento de Louis Braille, o criador do sistema de leitura e escrita Braille. O evento foi promovido pela Promotoria de idosos e pessoas com deficiência, por meio da promotora de justiça Elaine Castelo Branco, em parceria com o Instituto Álvares de Azevedo.

A subprocuradora-geral, área técnica administrativa, Cândida Nascimento, particicou da abertura do evento
A subprocuradora-geral, área técnica administrativa, Cândida Nascimento, particicou da abertura do evento
Foto: Ascom MPPA

Um dos principais pontos abordados no evento foi a necessidade de conscientizar a população sobre a importância das políticas públicas para a inclusão das pessoas cegas no sistema educacional.

“Além do caráter de integração desse evento também queremos mostrar para a sociedade a realidade da educação de uma pessoa, sobretudo cega. E, assim, alertar que pessoas cegas ou com deficiência visual não são inválidas. Pessoas cegas têm potencial, mas encontram algumas barreiras na sociedade que, se forem eliminadas essas pessoas se tornam aptas ao mercado de trabalho”, alertou Elaine Castelo Branco.

 
Foto: Ascom MPPA

Sem o Braille, principalmente o cego, não consegue avançar. Através da leitura e escrita em Braille é que ele consegue ter a visão de mundo. O sistema educacional paraense já avançou bastante nesse sentido, mas ainda existem muitas barreiras que precisam ser ultrapassadas.

Os professores, por exemplo, ainda necessitam de formação continuada. No ensino regular, por exemplo, ainda é grande o número de profissionais que não dominam as especificidades para assessorar os alunos com deficiência.

Lindalva Carvalho, diretora do Instituto Álvares de Azevedo, explica que no caso do Braille o Instituto Álvares de Azevedo oferece formação, porém, é muito reduzido o número de professores interessados. “Essa formação é de extrema importância porque é esse professor que lida com o aluno no dia a dia. Então, é importante saber pelo menos o básico para poder atender as necessidades de aprendizado do aluno”, explicou Lindalva.  

 
Foto: Ascom MPPA

 

Mas o Braille não é a única técnica que o professor precisa dominar. Outras técnicas relacionadas à leitura, orientação para a rotina diária e mobilidade dos alunos cegos também são necessárias no currículo do professor. O Instituto está se preparando para oferecer capacitação nessas áreas também.  

O Instituto José Álvares de Azevedo enfrenta dificuldades com a captação de recursos para oferecer material para os alunos cegos que frequentam as escolas públicas. Hoje o Álvares de Azevedo possui apenas uma máquina Braille em funcionamento e, por isso, não consegue oferecer um quantitativo maior de material para atender o público.

No caso das universidades, a maioria delas já possui Núcleo de Acessibilidade. Porém,  os alunos ainda encontram muitas dificuldades para avançar nos cursos. Dependendo do curso, muitas vezes ele até desiste. “O aluno escolhe determinado curso, mas ele não consegue avançar porque não consegue suporte para seguir em frente”, alerta Lindalva.

Endereço do Instituto José Álvares de Azevedo:  R. Pres. Pernambuco, 497 - Batista Campos, Belém .

Texto: Ascom MPPA

    

 

 

 

Fale Conosco