Internações e novas cirurgias estão suspensas no Hospital Maternidade do Povo II

Suspensão foi tomada após a constatação de que as condições físicas e sanitárias do hospital estão em desacordo com as normas de saúde
Belém 12/02/19 16:19

Mediante orientação do Ministério Público do Estado, órgãos fiscalizatórios determinaram nesta terça-feira (12) à Direção do Hospital Maternidade do Povo II a suspensão de algumas atividades. A medida se deu após a constatação de que as condições físicas, hospitalares, sanitárias e operacionais da maternidade estão em desacordo com as normas de saúde.

O Hospital Maternidade do Povo II teve suspensos a internação de novas pacientes, o agendamento de novas cirurgias, do programa de vacinação, tendo em vista, o acondicionamento irregular das vacinas e a mudança da realização de exames de teste da orelhinha para a sede da Maternidade do Povo I, até que sejam sanadas todas as irregularidades.

 Na manhã desta terça-feira (12) o Ministério Público realizou fiscalização no hospital Maternidade do Povo II. A vistoria, que foi realizada pela 3ª Promotora de Justiça da Saúde, Fabia de Melo-Fournier, em conjunto com técnicos do Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (GATI) do MPPA, equipes  do Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (DEVISA/SESMA) e do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde Pública do Pará (DVS/SESPA), teve por objetivo avaliar aspectos operacionais, sanitários e estruturais daquela unidade de saúde.
 

 

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Ao longo da vistoria graves desconformidades foram constatadas, como ausência de farmacêutico e de enfermeiros no hospital, que funcionava no momento com apenas dois obstetras, para realizar as cesarianas, fazer admissão das gestantes e atendimentos de urgência e emergência, tudo isto, aparentemente, funcionando sem o devido registro.

Ao entrevistar as pacientes que ali se encontravam para atendimento, constatou-se que em sua maioria eram provenientes de outros municípios e ali se encontravam por indicação de terceiros ou encaminhadas por seus próprios municípios. O bloco cirúrgico não possui os equipamentos de praxe para garantir a intervenção emergencial, inclusive as pacientes eram submetidas a cirurgia sem monitoramento do hospital.
 
Os bebês de mães diferentes ocupavam o mesmo berço e a identificação era feita pela técnica de enfermagem grafando o nome da mãe em fita crepe, colada diretamente no pulso do nascituro. Não havia material para higienização química dos instrumentos utilizados no bloco cirúrgico e foi encontrado para uso na CME material com esterilização vencida, dentre outros. O hospital funcionava sem licenciamento.    

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Na oportunidade, a Vigilância Sanitária do município, com o apoio do MPPA, procedeu à entrega de auto de infração à direção do Hospital, em virtude de inadequações verificadas em fiscalização ocorrida no mês de outubro de 2018 e que aquela administração vinha se recusando a receber. 

A iniciativa do MPPA ocorreu no âmbito do Inquérito Civil Nº 000050-125/2013 SIMP, instaurado para acompanhar as providências adotadas pelo hospital Maternidade do Povo Filial para garantir uma melhor prestação do serviço de saúde aos seus usuários.

Texto e fotos: 3ª Promotora de Justiça da Saúde

  

 

 

 

 

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