MPPA usará formulário nacional para atendimento às vítimas de violência

O Formulário FRIDA deverá ser usado por membros e servidores no atendimento às vítimas de violência doméstica
Belém 18/09/19 11:41
Mesa de abertura do evento: Rodier Ataíde, diretor-geral do CEAF; Cândida Nascimento, procuradora-geral em exercício; Sandro Castro, promotor de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher
Foto: Alexandre Pacheco

Com o objetivo de apresentar o Formulário Nacional de Risco e Proteção à Vida (FRIDA), o Ministério Público do Estado recebeu nesta quarta-feira (18) a pesquisadora e socióloga, Wânia Pasinato. A especialista em gênero, violência, justiça e políticas públicas que desde 2005 atua como consultora em projetos de governo, agências internacionais e ongs, fez uma apresentação sobre o formulário de avaliação de risco, as instruções para o seu uso e diretrizes para sua implementação. A plateia era formada por membros e servidores do MPPA e por representantes da rede de atendimento à mulher vítima de violência doméstica.

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Lançado em dezembro de 2018, o Formulário Nacional de Risco e Proteção à Vida (FRIDA) é fruto de um estudo desenvolvido por peritos brasileiros e europeus, no âmbito do programa Diálogos Setoriais: União Europeia-Brasil. Trata-se de uma iniciativa do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em parceria do Conselho Nacional de Justiça, Ministério dos Direitos Humanos.

A ferramenta foi pensada para auxiliar no fortalecimento da implementação da Lei Maria da Penha e também para ajudar a organizar o atendimento das mulheres em situação de violência dentro da rede de atendimento a essas vítimas.

“A proposta é ter um documento nacional, de uso comum no país e que nos permita, no decorrer do uso, constituir uma base de informação também nacional que possa ser comparável. Assim, poderemos refletir se os riscos que as mulheres enfrentam quando sofrem violência doméstica são comuns entre os estados ou não. Isso nós só vamos conseguir se adotarmos uma ferramenta comum”, disse Wânia Pasinato.

Wânia Pasinoto, pesquisadora
Foto: Alexandre Pacheco

A pesquisadora já percorreu vários estados orientando sobre as vantagens da utilização do formulário. Sua vinda ao MPPA foi uma articulação institucional realizada por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF). O diretor-geral, Rodier Ataíde, destaca que é preciso evoluir em planejamento e análise para que as políticas e ações voltadas para o combate à violência doméstica sejam realizadas de forma mais efetiva. “Esse formulário é um instrumento para que a rede de atendimento se fortaleça pois as informações coletadas farão com que as ações futuras sejam mais articuladas e eficientes. Do ponto de vista do CEAF esse curso é mais uma contribuição nesse processo de suma importância para o aprimoramento interno relacionado ao tema”, disse.

O FRIDA é dividido em duas partes que devem ser integralmente preenchidas. Na primeira, encontram-se 19 perguntas e uma escala de classificação da gravidade de risco. Já a segunda parte consiste em perguntas destinadas a avaliar as condições físicas e emocionais da mulher e as condições objetivas, para prevenção do agravamento da violência em curto prazo.  As informações vão auxiliar na redução da probabilidade de uma possível repetição ou ocorrência de um primeiro ato violento contra a mulher no ambiente de violência doméstica.

O promotor de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Sandro Garcia de Castro, que também coordena o Núcleo Mulher do MPPA reforça que o formulário é um instrumento muito forte uma vez que as informações vão auxiliar na redução da probabilidade de uma possível repetição ou ocorrência de um primeiro ato violento contra a mulher no ambiente de violência doméstica. “Essa referência pode servir tanto ao Ministério Público quanto ao poder judiciário no momento de avaliar o alcance das medidas protetivas a essa mulher”, disse.

 
Foto: Alexandre Pacheco

A coleta sistematizada e padronizada de informações, por meio do FRIDA, contribuirá para a fundamentação e avaliação de medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha. Além disso, previne o agravamento da violência para vítimas sobreviventes de feminicídios ou vítimas indiretas e facilita o encaminhamento das mulheres às redes de serviços especializadas nesse tipo de atendimento.

No caso do Ministério Público do Pará, as promotorias com atribuições voltadas à violência contra a mulher, tanto na capital como interior, serão orientadas a usar o formulário no atendimento das vítimas. Para ter acesso ao formulário Frida membros e servidores poderão acessar a página do Núcleo Mulher no site institucional onde encontrarão link para o formulário e orientações sobre como utilizá-lo.

Para baixar o formulário FRIDA acesse a página do Núcleo Mulher

Texto: Mônica Maia

 

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